Curriculum Vitae
DADOS PESSOAIS
Nascido: em 1941, Maputo, Moçambique
Nacionalidade: Moçambicana
Situação Familiar: Casado com Adelina Isabel Bernardino Paindana Mocumbi,
tendo seis filhos e quatro netos.
Religião: Cristã (Igreja Presbiteriana)
Línguas
Falo, leio e escrevo fluentemente: Português,
Francês e Inglês
Entendo facilmente: Espanhol, Txopi e Changana (duas das línguas moçambicanas)
RESUMO DAS QUALIFICAÇÕES E CARREIRA DE LIDERANÇA NA SAÚDE
RESUMO DE CARREIRA
1994 -2004: Primeiro-Ministro de
Moçambique.
1987-94: Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique.
1980-87: Ministro da Saúde de Moçambique.
1976-80: Director Provincial de Saúde e Médico-Chefe Provincial da
Província de Sofala, em Moçambique.
1975-76: Director do Hospital-Geral José Macamo, em Maputo, Moçambique.
1973-75: Estágio rotativo no Hôpital de St. Loup, em Pompaples, Vaud,
Suíça.
1975-94: Trabalho em tempo parcial em obstetrícia nos Hospitais Centrais
da Beira (1976-80) e Maputo (1975-76, 1980-94) – Moçambique.
HABILITAÇÕES LITERÁRIAS
1975: Diploma em Planeamento Sanitário
pelo Institut de Planification, Dakar, Senegal.
1967-73: Estudos médicos na Faculdade de Medicina da Universidade de
Lausanne, Suíça, que conduziram à Licenciatura em Medicina.
1960-1963: Estudos universitários pré-clínicos em Lisboa (Portugal) e em
Poitiers (França).
1948-1960: Estudos primários e secundários em Moçambique.
REALIZAÇÕES PROFISSIONAIS
Início da carreira
A minha primeira experiência clínica, como estagiário na Suíça, familiarizou-me com os problemas de saúde de um país rico da Europa. Regressei ao meu país por altura da independência, em 1975 e a minha posição de Director de um hospital urbano de grande dimensão, na cidade capital, proporcionou-me, rapidamente, uma visão dos problemas de saúde de um país em desenvolvimento confrontado com uma extrema escassez de meios de saúde, visto que muito profissionais portugueses abandonaram o país. Sempre esforcei-me por exercer medicina clinica, pela qual nutro uma grande paixão, mesmo quando fiz parte do Governo.
Director Provincial de Saúde e Médico-Chefe Provincial na Província de Sofala
Na qualidade de Director Provincial de Saúde e Médico-Chefe Provincial na Província central de Sofala, adquiri experiência inestimável de gestão ao organizar e garantir a prestação de serviços de saúde àquele nível. Esta tarefa incluía também a prestação directa de cuidados de saúde clínicos no hospital provincial e nos distritos rurais da província. O Serviço Nacional de Saúde (SNS), recentemente criado, fornecia uma rede de serviços de saúde que se estendiam das áreas urbanas às mais remotas zonas rurais para as quais eu era o responsável ao nível provincial.
Tanto como clínico, como em tanto que Director Provincial, tinha a tarefa delicada de integrar no Serviço Nacional de Saúde, pessoal formado durante a luta armada de libertação nacional e o proveniente de instituições religiosas e dos serviços de saúde coloniais. Após a independência, o êxodo dos profissionais de Saúde portugueses, causou uma falta dramática de profissionais de Saúde qualificados. Face a essa situação, o governo recrutou profissionais de diversos países, em todos os continentes e que representavam uma variedade de antecedentes de formação e possuíam experiências de trabalho muito diversas. Na minha posição tive de assegurar a integração harmoniosa desses profissionais no trabalho de equipe que estávamos a implementar assim como a compreensão das políticas e estratégias nacionais com vista ao estabelecimento de protocolos de prevenção e tratamento das doenças mais comuns.
Uma outra área importante do meu trabalho foi a imprescindível reorganização administrativa. Como Médico Chefe Provincial, reclassifiquei as unidades sanitárias provinciais em quatro níveis de cuidados de saúde, de acordo com a política nacional. Tive também de reafectar o pessoal de Saúde aos diferentes níveis de cuidados de saúde, segundo os seus perfis profissionais individuais. Grande parte do meu trabalho requeria habilidades em planificação e gestão adquiridos subsequentemente no Curso de Planificação Sanitária, em Dakar. Essa formação preparou-me para melhor estabelecer prioridades e trabalhar em equipa. Nesse processo, aprendi a importância do trabalho em equipa e da gestão da sua dinâmica. Como membro do governo provincial, também estive activamente envolvido na mobilização e organização das comunidades para participarem no esforço de reconstrução nacional e efectivamente de criação duma nação como tal.
A formação e capacitação a todos os níveis foram essenciais para a consolidação do Serviço de Saúde. Dediquei grande parte do meu trabalho à planificação e à garantia de que os programas de formação para o pessoal eram efectivamente executados visto que era um passo crítico para a constituição de equipas de saúde competentes, capazes de responderem às necessidades de saúde prioritárias do povo. Esse trabalho incluiu a formação de trabalhadores de Saúde da Comunidade – Agentes Polivalentes Elementares (APE) – assim como a formação de enfermeiros e de Agentes e Técnicos de Medicina, no recentemente criado Instituto de Ciências de Saúde.
A Medicina Preventiva e a Educação para a Saúde eram prioridades máximas. Esta escolha de prioridades permitiu a Moçambique realizar com êxito uma campanha nacional de vacinação entre 1976 e 1978. A campanha obteve mais de 90% de cobertura, confirmados num inquérito realizado pela OMS. Também foram feitos progressos na promoção do saneamento do meio e do uso de água potável.
Sempre acreditei na liderança através do exemplo, tanto na prática clínica como na gestão. Quando necessário, tomava o lugar dos Médicos Chefes Distritais ausentes em gozo de férias. Isto ajudou-me a compreender a complexidade da gestão ao nível distrital. Jamais esqueci algumas lições: como o Sistema de Saúde distrital funcionava como um todo, o problema do abastecimento em medicamentos, o uso de estatísticas de Saúde para uma administração baseada em dados concretos, assim como a importância crucial da promoção dum bom relacionamento entre o pessoal de Saúde e as comunidades por ele servidas.
O meu trabalho nestes primeiros anos pós-independência deu-me uma oportunidade ampla de participar na transformação do Serviço de Saúde de Moçambique. Tal transformação, para um modelo de prática de Cuidados de Saúde Primários, levou a OMS a reconhecer Moçambique como líder mundial entre os países de baixo rendimento na luta em prol da “Saúde para Todos”.
A minha participação em actividades de Saúde a nível internacional começou nesta fase da minha carreira. Na minha qualidade de Médico Chefe Provincial, acolhi muitas delegações de alto nível em visita a Moçambique. De entre tais visitas, a do Dr. Halfdan Mahler, na altura, Director-Geral da OMS e do Dr. Comlan Quenum, então, Director Regional da OMS para África, teve uma grande importância para Moçambique e para a minha carreira pois visava verificar os progressos de Moçambique na implementação das políticas nacionais de Saúde baseadas nos Cuidados de Saúde Primários.
Ministro da Saúde
Em 1980, fui nomeado Ministro da Saúde. Na qualidade de principal administrador de Saúde Pública no país, tratava não só de questões sobre política de Saúde, avaliação de Saúde e reforma do Sector de Saúde, mas também da gestão de recursos, especialmente humanos e financeiros. Em 1981, adoptámos um plano de acção de dez anos e começámos uma restruturação abrangente do Sector de Saúde. Esta restruturação tinha por objectivo racionalizar a estrutura do Ministério, reforçar a coordenação da prestação dos Cuidados de Saúde e expandir a cobertura para reduzir a distância de cada aldeia à unidade sanitária de nível primário mais próxima.
Reconhecendo a importância de dados fiáveis para planificação e gestão, institucionalizei, em 1980, um Sistema Nacional de Informação para a Saúde. O sistema foi aperfeiçoado em 1982-83. As estatísticas mais importantes eram publicadas anualmente e usadas para fins de gestão a todos os níveis do sistema de cuidados de Saúde. Um sistema complementar colhia dados de programas específicos, tais como, o Programa Alargado de Vacinações (PAV), a Saúde Materno-Infantil (SMI), a Saúde Ocupacional e a Saúde Ambiental. Foi introduzido um sistema rotineiro de vigilância epidemiológica para apoiar o Ministério na identificação, detecção prévia e gestão eficaz de surtos de cólera e de outras doenças epidémicas. Para além destes sistemas de rotina, promovi vivamente a realização de inquéritos com vista a recolher dados para fins de planificação sobre mortalidade infantil, peso à nascença, utilização e cobertura de cuidados de saúde, assim como causas de morte. Esta combinação de colheita aperfeiçoada de informação de rotina e inquéritos permitiu ao Ministério da Saúde fazer planificação e políticas baseadas em dados científicos, num período de escassez de recursos.
Apesar da escassez de recursos, fomos capazes de estabelecer e implementar actividades de pesquisa essenciais no campo da Saúde. Os resultados destas pesquisas melhoraram directamente a situação de Saúde em Moçambique e deram contribuições de importância internacional na malária e Saúde materna. Em 1981, dirigi estudos numa área afectada pela seca, que identificaram uma epidemia de paraparesis espática como uma doença nutricional tóxica, associada com a intoxicação pelo cianeto, ingerido pelo consumo de mandioca. A doença, chamada Mantakassa pelas comunidades locais, é agora reconhecida como uma entidade nosológica distinta, com a designação de «Konzo».
Durante o período em que exerci as funções de Ministro da Saúde, foram introduzidas muitas novas iniciativas. Programas nacionais importantes, tais como SMI e PAV foram reforçados através de:
O PAV, tinha por objectivo consolidar a bem sucedida campanha de vacinação realizada imediatamente após a independência. Como consequência deste compromisso com a SMI e o PAV, os indicadores de cobertura a nível nacional, medidos através do Sistema de Informação para a Saúde, subiram para cerca de 80%.
Estive também activamente envolvido na preparação de muitas políticas nacionais em matéria de Saúde, População e Acção Social, assim como, para pessoas portadoras de deficiência. Em matéria de Saúde, as estruturas de prestação de cuidados de Saúde e das carreiras profissionais foram organizadas e regulamentadas.
Um marco importante durante o meu mandato foi o desenvolvimento e a aprovação de uma Política farmacêutica nacional para regulamentar e registar medicamentos. Subsequentemente, foi introduzida uma lista de medicamentos com directrizes para a prescrição dos mesmos, por forma a promover o uso racional dos medicamentos.
Apesar da prevalência ser ainda baixa, reconheci bastante cedo a importância da epidemia do HIV/SIDA. Criou-se uma Comissão Nacional de Combate ao HIV/SIDA, em 1986. Também promovi a prevenção e o tratamento das DTS, convicto de que o controlo das DTS era um elemento importante de prevenção da SIDA.
Ao longo destes anos, Moçambique enfrentou uma emergência complexa devido à insegurança derivada da guerra e à uma grave seca. Trabalhando sob grande pressão e em circunstâncias difíceis, o Ministério da Saúde adoptou uma estratégia de resposta sanitária, em coordenação com outros sectores. Esta estratégia fazia parte de um programa multisectorial de emergência.
A nível regional, o Ministério da Saúde e a OMS fundaram conjuntamente o Centro Regional de Desenvolvimento Sanitário (CRDS). Este centro é um recurso regional para formação e construção de capacidade de investigação em Saúde, gestão de Saúde e política de Saúde Pública, para países africanos de língua oficial portuguesa e para a Guiné Equatorial.
Como Ministro da Saúde e chefe da delegação moçambicana às Assembleias Mundiais da Saúde, participei activamente em debates sobre relatórios do Director Geral sobre as actividades da OMS e sobre relatórios sobre a Saúde do Mundo. Em 1984, chefiei a delegação moçambicana à Conferência Mundial sobre População, no México.
Ministro dos Negócios Estrangeiros
Em 1986, fui nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros, tornando-me assim mais activamente envolvido em assuntos, tanto nacionais como internacionais, particularmente nos importantes para Moçambique e para o crescimento sócio-económico dos países em desenvolvimento.
Contribuí para a implementação da política de Paz do Governo, promovendo o diálogo e ganhando amigos a nível mundial. Em 1992, o Governo de Moçambique e a Renamo assinaram um acordo de paz, em Roma, pondo fim a dezasseis anos de uma guerra destrutiva. Os esforços diplomáticos ajudaram a garantir uma transição com sucesso, da guerra para a Paz, em Moçambique.
Este período foi crítico na região, pois, nesta altura deu-se o colapso do apartheid na vizinha República da África do Sul e a independência da Namíbia. Participei activamente no diálogo entre os Ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Europeia que culminou com um encontro, em Berlim, em 1992. Fui, igualmente, activo na busca de parcerias, para uma transição democrática na África Austral, no período pós-apartheid.
Um exemplo de sucesso diplomático foi a declaração emanada da Reunião dos Chefes de Estado e do Governo da Commonwealth em Vancouver, em Outubro de 1987, onde representei Moçambique como observador. A reunião declarou: “Consideramos Moçambique como estando numa posição geográfica chave em relação aos países da Linha da Frente. Para que a região deixe de estar refém da África do Sul, deve ser dada uma atenção especial e urgente às necessidades de Moçambique. Decidimos, pois, estabelecer um fundo especial para dar assistência técnica a Moçambique.”
Durante o meu mandato, Moçambique começou a participar em novos diz-se fóruns em português multilaterais, nomeadamente na Organização da Conferência Islâmica e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Participei activamente nas etapas preparatórias da criação da CPLP, onde defendi o princípio dos três fundamentos para a organização: (i) Língua comum, (ii) Desenvolvimento de canais de informação multilaterais usando a língua comum e (iii) Cooperação para o desenvolvimento sócio-económico. Durante estas negociações, tentei garantir que os interesses dos países africanos, na comunidade dos países de língua portuguesa, fossem tidos em conta, na formação da nova organização inter-governamental.
No meu Ministério dos Negócios Estrangeiros, tomei medidas organizativas importantes para desenvolver os recursos humanos e usar dados científicos como instrumento de gestão. Ajudei a consolidar o desenvolvimento do recém criado Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), em Maputo, destinado a formar diplomatas ao nível universitário. Em 1991, desempenhei um papel importante na criação, dentro do ISRI, do Centro de Estudos Estratégicos. Este Centro destinava-se a dar apoio científico à acção diplomática internacional do Governo e às suas políticas de cooperação. Dirigi o processo de estabelecimento de uma estrutura de carreiras para diplomatas e a tarefa sensível de integrar os diplomatas profissionais na estrutura recentemente criada. Para o efeito, o ISRI também organizou cursos de curta duração para diplomatas.
Como Ministro dos Negócios Estrangeiros, continuei a participar activamente em acontecimentos relacionados com a Saúde. Por exemplo, chefiei a delegação moçambicana à Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento realizada no Cairo, Egipto, em 1994. Também participei na Mesa Redonda sobre Saúde e Desenvolvimento, em Accra, Gana e fui membro do Grupo de Trabalho da OMS sobre Saúde e Desenvolvimento, de 1989 a 1998.
A minha participação anual na Assembleia Geral das Nações Unidas deu-me uma oportunidade única de compreender melhor o Sistema das Nações Unidas.
Primeiro-Ministro
Fui nomeado Primeiro-Ministro no Governo saído das primeiras eleições multipartidárias, em 1994. Este governo enfrentou a tarefa gigantesca de reconstruir um país devastado pela guerra e desastres naturais sucessivos, manter a paz e a estabilidade política e reconstruir a estrutura social. No fim do primeiro mandato, em 1999, o governo tinha restabelecido completamente a rede nacional de Saúde, assim como dado importantes passos para a reabilitação económica. Como Primeiro-Ministro, supervisei o desenvolvimento das políticas sectoriais e coordenei a execução, pelos membros do Governo, dos planos sócio-económicos anuais.
Desempenhei um papel de liderança na luta contra o HIV/SIDA, não só em Moçambique mas também internacionalmente. Presidi o Conselho Nacional de Combate ao HIV/SIDA em Moçambique. Nessa função, o meu papel consistia em garantir que todas as instituições governamentais, o sector privado, a sociedade civil e as comunidades no geral participassem e desenvolvessem esforços e acções com vista a prevenir infecções pelo HIV e minimizar os efeitos sociais da epidemia do HIV/SIDA. Em repetidas ocasiões, transmiti a mensagem de que a prevenção e a mudança de comportamento são a estratégia chave para o êxito na luta contra este flagelo. Promovi, particularmente, esta mensagem no seio da geração mais jovem, encorajando, em particular, a testagem e o aconselhamento voluntários em unidades sanitárias acolhedoras e eficientes para os adolescentes, dotadas de profissionais de saúde competentes, capazes de tomar em consideração valores culturais e tradicionais no relacionamento com pessoas infectadas pelo HIV/SIDA. Também contribuí para a introdução de noções sobre saúde reprodutiva e sexual, aquando da revisão do currículo escolar de Moçambique, adoptado em 2003.
Considerando a evolução da epidemia do HIV/SIDA como uma ameaça grave não só para Moçambique, defendi o estabelecimento de colaboração e a partilha de experiência a nivel regional na implementação de estratégias de combate ao HIV/SIDA. Tal como noutras regiões, a interacção entre a pobreza, o género e as práticas sexuais de adolescentes, nesta parte de África, é absolutamente devastadora e a taxa de prevalência do HIV entre as raparigas adolescentes é mais elevada do que a dos rapazes da mesma idade.
Reconduzido na sequência das eleições de 1999, o novo Governo foi imediatamente confrontado com as cheias torrenciais dos princípios de 2000; as piores de sempre em Moçambique: mais de 500.000 pessoas afectadas; mais de 30.000 km² de terra submersa e mais de 700 pessoas mortas. Contudo, graças às operações de salvamento rápidas, cerca de 45.000 pessoas foram resgatadas. Na qualidade de Primeiro Ministro, dirigi o Conselho Coordenador para a Prevenção e Combate às Calamidades Naturais, encarregue de coordenar a resposta nacional; a nossa abordagem pro-activa salvou vidas e minimizou o sofrimento.
No fim da guerra civil, Moçambique era um dos países mais pobres do mundo. Durante o meu mandato, a economia moçambicana registou índices de crescimento sem precedentes. Antes das cheias, a economia moçambicana era considerada a de crescimento mais rápido no mundo, com um crescimento do PNB a dois dígitos. O meu Governo foi capaz de aumentar significativamente a afectação de recursos financeiros aos sectores sociais. Entre 1994 e 2001, a proporção de gastos públicos no Sector da Saúde cresceu de 5.9% para 11,3%. O Governo de Moçambique adoptou e implementou o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA). O PARPA considerava a Saúde, educação, saneamento e abastecimento de água, agricultura, estradas terciárias, boa governação e estabilidade macro-económica como essenciais para combater a pobreza e para o desenvolvimento sustentável. Embora seja ainda um país de baixo rendimento a enfrentar muitos desafios, Moçambique passou de uma guerra civil destrutiva para uma situação de esperança de desenvolvimento sócio-económico.
Nos últimos anos, Moçambique deu os primeiros passos rumo à Sociedade Global da Informação. Como presidente da Comissão para a Política de Informática (CPINFO), juntei todas as partes interessadas – nos sectores público e privado, sociedade civil, instituições académicas e de pesquisa, comunidade doadora e cidadãos em geral. Juntos, lançaram as bases que farão de Moçambique um parceiro relevante e competitivo na economia global. A política das TIC, adoptada em 2000, estabelece uma visão clara para a criação da sociedade de informação em Moçambique. A Estratégia de Implementação da Política de Informática, adoptada em Junho de 2002, define claramente os programas e projectos que traduzirão a política das TIC numa realidade tangível em áreas chave de desenvolvimento dos recursos humanos, infraestruturas e acesso, Saúde, conteúdo e aplicações, governo electrónico, registo digital de terras, descentralização e comércio electrónico, entre outros. Moçambique é hoje uma referência positiva na agenda das TIC-para-o-desenvolvimento e é um dos maiores contribuintes para o recém estabelecido Grupo de Trabalho das Nações Unidas para as TIC. Eu sou também um utilizador experiente das TIC.
Como Primeiro-Ministro, desempenhei um papel de liderança nas negociações entre o governo Moçambicano e os parceiros (FMI, BM, instituições financeiras internacionais e bilaterais) para garantir o financiamento complementar de programas de desenvolvimento. O uso responsável dos recursos resultou em fluxos regulares de fundos AOD e relações de confiança com parceiros de desenvolvimento. A adopção e a implementação cuidadosa de políticas apropriadas criou um ambiente atractivo para investimentos que resultou no crescimentos das exportações de Moçambique.
No plano interno, uma das minhas funções era de manter a nação informada das actividades do Governo. Isso envolvia uma interacção regular com o Parlamento e os partidos políticos. Por norma, realizava uma conferência de imprensa com os órgãos de informação nacionais e internacionais todas as semanas.
Durante esses anos como Primeiro Ministro, mantive o meu interesse especial pelas questões nacionais e internacionais de Saúde. Especialmente, tornei-me um advogado duma acção enérgica na prevenção do HIV/SIDA, na redução das desigualdades económicas e ligadas ao género no acesso aos Cuidados de Saúde e na redução da mortalidade materna e infantil.
Durante a minha longa carreira como gestor, operando num país com escassos recursos, esforcei-me por praticar um estilo de gestão virado para a obtenção de resultados e na tomada de decisões com base em factos concretos. Em matéria de Saúde, porque acredito na importância duma informação fiável, promovo energicamente a investigação na área de Saúde, tanto ao nível nacional, como internacional para promover o desempenho de sistemas de Saúde.
Desde Março de 2004, preocupado com o persistente ciclo vicioso entre pobreza e doença que submete pessoas à dor e ao sofrimento, aceitei trabalhar no seio da Parceria entre Países Europeus e em Desenvolvimento para Ensaios Clínicos (EDCTP) na qualidade de seu Alto representante. A EDCTP é uma inovadora parceria Norte/Sul baseada no saber no campo de ensaios clínicos e que visa acelerar o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e microbicidas contra o HIV/SIDA, a malária e a tuberculose e reforçar as capacidades nos países em desenvolvimento. Estou satisfeito por poder usar os meus conhecimentos de gestão e diplomacia para promover a coordenação de actividades e a cooperação entre iniciativas globais para resolver desafios de Saúde globais e promover a igualdade de oportunidades na Saúde para todos.
Resumindo, nos seis anos como Ministro da Saúde, sete como Ministro dos Negócios Estrangeiros e quase dez como Primeiro Ministro e no meu trabalho internacional, sempre me esforcei, e continuarei a esforçar-me por pôr em prática a minha firme convicção de que a Saúde dos povos está no centro do verdadeiro e sustentável desenvolvimento, promovendo a “igualdade de oportunidades na Saúde para todos”.
FILIAÇÕES PROFISSIONAIS E POLITICAS
Membro das seguintes organizações nacionais e internacionais:
Como membro do Governo moçambicano presidi vários organismos em Moçambique:
APRESENTAÇÕES COMO CONVIDADO
Nas minhas funções oficiais fui frequentemente convidado para participar em diversas conferências e encontros nacionais e internacionais sobre questões de saúde mundial, incluindo Conselhos Coordenadores Nacionais, Assembleias Mundiais de Saúde, encontros de Comités Regionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), Assembleias Gerais das Nações Unidas, encontros e conferências da UNICEF e FNUAP.
Nesses encontros, apresentei comunicações orais ou escritas sobre a promoção da Saúde e bem-estar da humanidade, particularmente em países de baixo e médio rendimento. Em países de alto rendimento do mundo industrializado, sublinhei a necessidade de se estabelecerem parcerias para a partilha de saber e na necessidade de focalizar a atenção sobre grupos de alto risco e na redução da morbidade e mortalidade.
Adicionalmente, após reformar-me da vida política activa no meu país continuei a ser convidado, para abordar temas relacionados com a desigualdade de acessos à cuidados de saúde e medicação que salva vidas, em conferências e reuniões internacionais sobre saúde e desenvolvimento.
Selecção de conferências e reuniões internacionais em que intervi :
Principais Tópicos apresentados:
PUBLICAÇÕES SELECCIONADAS
Livros
Povey WG, Araujo T, Mocumbi P. Intervenções em
Obstetrícia. Maputo: Ministério da Saúde; 1992.
Povey WG, Araujo T, Mocumbi P. Conduta Obstétrica. Maputo. Ministério da Saúde;
1990.
Povey WG, Araujo T, Mocumbi P. Manual de Obstetrícia Prática. Maputo: Ministério
da Saúde; 1987.
Artigos de Jornal
-Dr Pascoal Mocumbi and
Dr E. Amaral “Reproductive Rights and HIV/AIDS” publicado em Best Practice and
Research Clinical Obstetrics & Gynaecology, disponível na Internet:
http://dx.doi.org/10.1016/j.bpobg
-Bergstrom S, Mocumbi P. Health for all by the year 2000?
British Medical Journal 1996; 313:316.
-Ministério da Saúde, Moçambique. Mantakassa: uma
epidemia de paraparesis espática associada com a intoxicação crónica pelo
cianeto numa zona de Moçambique cujo alimento de base é a mandioca.1.
Epidemiologia e constatações clínicas e laboratoriais em pacientes. Boletim da
Organização Mundial da Saúde 1984; 62: 477-84.
-Ministério da Saúde, Moçambique. Mantakassa: uma
epidemia de paraparesis espática associada com a intoxicação crónica pelo
cianeto numa zona de Moçambique cujo alimento de base é a mandioca. 2. Factores
nutricionais e teor de ácido cianídrico de derivados da mandioca. Boletim da
Organização Mundial da Saúde 1984; 62: 485-92.
Outras publicações
Mocumbi P. Desenvolvimento e Democracia como
novas agendas globais: Ultrapassando os determinismos. Aula de sapiência da
abertura do ano académico 2000/2001. Instituto Superior de Relações
Internacionais (ISRI). In: Trajectória de Consolidação e Renovação, Maputo:
Edições do ISRI; 2002.
Mocumbi P. A Time for Frankness On AIDS and Africa. The New York Times, 20 de
Junho de 2001; página 23.
Mocumbi P. To Make a Difference in the 21st Century: Building a Global Health
Coalition. In: Proceedings of the Second Global Symposium on Health and Welfare
Systems Development in the 21st Century; 29-31 de Outubro de 2001; Kobe, Japão,
Centro Kobe da OMS.
Mocumbi P. A National ICT Policy for National Development. In: Regional Human
Development Report of the SADC Region; 2000.
Mocumbi P. O principal desafio para Moçambique e África Austral é a afirmação da
sua identidade. In: Zacarias A. editor. Repensando Estratégias sobre Moçambique
e África Austral Maputo: Edições do ISRI; 1991.
DISTINÇÕES E PRÉMIOS